Processo criativo - Valtão tem opção?
Olá, pessoal!
Hoje trago aqui, mais uma vez, um pouquinho sobre o meu processo criativo.
Como eu já disse no post anterior, explicá-lo e dissecá-lo por completo é impossível, tendo em vista que a arte, a criatividade, nosso funcionamento cerebral e a origem dos nossos pensamentos ainda não foram totalmente compreendidos pela ciência.
O que eu tenho pra mim é que todos nós somos naturalmente criativos e uns aproveitam melhor esse talento, se dedicam mais a ele, investem mais em repertório, ousam mais e têm menos medo de errar, experimentam novas possibilidades (muitas vezes, apenas em nível de pensamento mesmo) e reconhecem melhor esses momentos de criatividade, fluidez e insights, usufruindo melhor deles.
O meu processo criativo não segue uma regra.
Às vezes, olho uma imagem, ouço um nome ou uma palavra e aquilo me dá um start: só um fio, que devo puxar até o seu completo desenrolar - ou, mais raramente, uma história inteira.
Como eu já disse, tenho anotações de nomes de pessoas, lugares, ideias e títulos. Sim, há alguns títulos de livros que ficam lá anotados por anos sem que nada mais se desenvolva, até que um dia… quando eu menos espero, aquela ideia se completa! Surgem os personagens e a história!
Misteriosamente, quando isso acontece, parece mais fácil do que o movimento inverso: por vezes, ter uma história completa e não definir o seu título pode ser angustiante!
Mas reconheço esses momentos de indecisão ou dificuldade criativa como desafios: eu tenho uma questão para resolver e sei que trabalhando nela, a solução virá! É interessante ir testando mentalmente ideias de títulos, nomes de personagens ou rumos para uma história!
Em outros casos, a ideia vem completa, meio que faz um download na minha cabeça e eu tento, freneticamente, transpô-la para o papel. às vezes, faço anotações em formato de esquemas e depois, menos ansiosa, sabendo que não vou perder nenhum pedacinho da história, sigo aquele roteiro traçado e começo a escrevê-la.
Atualmente, estou na fase final de um livro infantil chamado VALTÃO TEM OPÇÃO?
Lembro onde eu estava quando me surgiu a ideia, mas não tive um estopim específico (uma imagem, uma fala de alguém, algum contexto em especial). Eu estava no meu escritório, procurando a minha agenda (que é em papel, totalmente analógica e enorme - do tamanho de um caderno universitário - que me julguem os jovens e os minimalistas, mas só assim consigo de fato colocar um pouco de ordem em minha rotina diária, já que os meus pensamentos estão sempre muito mais voltados para as esferas criativas, ideias, histórias e personagens do que para os afazeres cotidianos - compromissos, consultas, contas a pagar), quando pensei "vou escrever a história de um trem que não quer mais andar naquele trilho".
Ok, ok… um trem! Simpatizo bastante com eles! Adoro viajar de trem e quando o meu filho era menor ele assistia bastante aquele desenho animado "Thomas e seus amigos".
Vejamos, então a ideia nasceu de um trem que quer sair dos trilhos! Rebelde ele!
Quem é esse trem? Qual o seu nome?
Onde ele está? O que ele faz?
Por que quer sair dos trilhos?
E… ao final… ele sai dos trilhos ou se conforma com os trilhos onde está?
A ideia se desenvolveu rápido.
Escrevi um breve rascunho no papel mesmo, é isso que faço para não perder a ideia quando ela surge.
Depois de uns dias, menos de uma semana, já liberada de outros escritos, fui lá, peguei essa história no colo e a embalei.
Em dois ou três dias, nasceu "Valtão tem opção?".
Estou agora em fase final de revisão!
Escrever pode ser inexplicável, mas, definitivamente, é maravilhoso!