Blog Mariela Sorella

02/03/2026

ESCREVER, UMA PAIXÃO!


Eis aqui o meu blog, um antigo projeto, que agora coloco em prática.

Com ele, espero poder compartilhar a minha rotina de escritora - como escrevo, o que estou escrevendo no momento, como surgem as ideias, como são os momentos de maior e menor inspiração, como me sinto quando estou desenvolvendo algum tema e como os organizo.

Naturalmente, são situações que pouco cabem em palavras: explicar exatamente como ou quando surgiu uma ideia ou como ela se desenvolveu pode ser algo por demais abstrato - porém quando treinamos o nosso olhar, é possível captar alguns instantes.

De toda maneira, as experiências são únicas e intransferíveis. Não há fórmula!

Penso que a única dica possível a dar para quem quer escrever é: conecte-se, sintonize, esteja na frequência certa! A inspiração é um ajuste fino, algo como sintonizar a frequência de uma estação de rádio - uma vez que a encontrou, mantenha-se nela!

E como fazer isso?

Essa é a questão: não sei!

Sei apenas que há momentos na vida em que outras ocupações e preocupações se sobrepõem ao ato de criar e há uma pausa, um bloqueio criativo. Esses momentos podem durar horas ou anos.

Por outro lado, há outros momentos - sejam eles de tédio, relaxamento ou até mesmo de muitos afazeres - onde a inspiração encontra uma brecha e entra. Nesse caso, estamos de alguma maneira sintonizados e, reconhecer isso, é o primeiro passo para permitir que esse fluxo se mantenha.

E se naquele momento exato não pudermos desenvolver a nossa ideia?

Puxa, nem me fale!

Quantas vezes já me aconteceu isso, durante alguma aula, na rua ou no trabalho!

Surge uma ideia, eu a reconheço como ótima e fico ansiosa por desenvolvê-la, porém não tenho como sair escrevendo de onde estou!

Para isso, tenho sempre algum papel e caneta à mão - e hoje em dia, o bloco de notas do celular também ajuda.

Anotar a ideia é diferente de escrever, desenvolver o assunto, mas é um começo, é uma forma de não esquecer aquele pensamento, não permitir que ele escape.

Quantos milhares de papéis anotados tenho em casa? Não sei!

Sempre que posso os organizo, digito os seus conteúdos no computador e os descarto, mas eles, definitivamente, se reproduzem como coelhos!

Em minhas mudanças de residência, os livros e papéis são sempre os que dão mais trabalho: pesados, abundantes e demandando tempo para serem organizados e classificados depois, no novo destino. Nessas horas, fico pensando como são as mudanças de casa de uma "pessoa normal". Na minha última mudança, passamos um período de cinco meses em um apartamento provisório, alugado e bem pequeno, até o nosso apartamento final. Nessa época, deixamos algumas caixas no apartamento da minha mãe, porém sendo ele também pequeno, o espaço não foi suficiente e precisamos alugar um espaço temporário em um guarda-móveis. Na ocasião em que deixamos as nossas coisas lá, caixas e caixas pesadas de livros foram levadas para o local e então perguntei para o funcionário da empresa se o local era seguro (naturalmente, havia câmeras, cadeados, etc.), no que ele me respondeu:

- Senhora, não se preocupe, livros ninguém rouba não!

Pois é, pois é!

Esse assunto daria muito pano pra manga, mas a verdade é: papéis e livros ocupam espaço, dão muito trabalho para organizar e são pesados para transportar, mas, no meu caso, são a minha matéria prima!

Escrevo e amo escrever desde que me conheço por gente.

Pequenininha ainda, muito antes de aprender a ler, eu já vivia sempre com papel e lápis na mão.

Minha mãe conta que quando eu ia às consultas médicas eu dizia pro médico "moço, me empresta a caneta?" e o mesmo com os garçons nos restaurantes.

Lembro dessa paixão pela vida toda. Quando criança, a minha brincadeira favorita era "brincar de escritório", o que consistia basicamente em montar uma mesinha ou escrivaninha com os meus apetrechos diversos - lápis, papel, caneta, régua, canetinhas, lápis de cor, etc. - juntar algumas folhas e desenhar.

O meu paraíso era visitar livrarias e papelarias e sempre que eu ganhava algum livro ou material de desenho de presente, era a glória.

Sim, tive uma infância analógica, nasci em 1980, época em que naturalmente os momentos de tédio e, consequentemente, de criatividade, eram mais abundantes. Eu tive essa sorte.

Por aqui, além de falar sobre a escrita e o processo criativo como um todo, pretendo abordar também algumas de minhas leituras, em especial as que versam sobre os processos criativos, literatura, literatura infantil, a importância do hábito de ler e toda a relação das crianças com os livros.

Sejam bem-vindos!

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